sábado, 4 de outubro de 2008

Borghesi e o niilismo otimista

Hoje fui a uma palestra do filósofo italiano Massimo Borghesi, promovida pelo IFE (o meu muito obrigado ao Julio pelo convite). Não consegui compreender tudo, até porque não tenho a mínima noção de italiano, mas o esforço que Borghesi fez para falar um italiano espanholizado valeu a pena. Do pouco que entendi, saiu esse texto:

Borghesi identificou de uma maneira espetacular o problema depressivo do homem moderno: o niilismo otimista, como ele chamou.

Para niilismo otimista o mundo em si não possui objetivo; até ai nada de novo, mas o que ele identificou perfeitamente foi a substituição dessa falta de objetivo por um mundo ilusório, capaz de confortar o homem moderno da angústia que advém dessa carência. Todo o significado de vida passa então a ser subjetivo e é dada bandeira branca para o ego subir ao palanque e gritar: "sou capaz de guiar a mim mesmo. Meu objetivo de vida é meu e o mundo nada tem a ver com isso".

Nunca antes foi tão cômodo pensar dessa forma como nos dias de hoje. Vivemos repletos de tecnologias capazes de criar essa pseudo realidade confortável o suficiente para sustentar esse triste modo de pensar. Particularmente, acho que a trilogia Matrix faz uma ótima comparação com o niilismo otimista. Trocamos o objetivo de vida, que Neo após despertar teve que carregar, pelo comodismo da parafernalha tecnológica moderna, os prazeres de matrix. Da mesma forma que no filme, as pessoas simplesmente ignoram a existência de um sentido de vida e acomodam-se neste mundo que a burguesia é capaz de sustentar. Eis o porquê de nossos ícones estarem limitados a grandes executivos bilhonários e artistas que levam uma vida de carpe diem perfeita. É a falta de para onde caminhar! E no cenário dessa falta nos afogamos em comodismos que, pela própria natureza vã do fim neles mesmos, trás a angústia do homem moderno. Somos carentes de ícones, de motivos, de pés que saibam para onde andar. Sofremos e não sabemos o motivo, ou melhor, ignoramos os motivos, até que 50 anos de nossas vidas passem e percebamos a falsa realidade que criamos ao nosso redor e a sua capacidade limitada de nos fornecer apenas falsa felicidade.

3 comentários:

Jaqui disse...

Oie Rô!!

Nossa! que legals essa palestra, e pior que tudo que você falou é verdade, esse mundo está sem nenhum objetivo, as pessoas só buscam a pseudo felicidade, através do individualismo e consumismo. Na verdade as pessoas só se comovem quando acontecem catástrofes e olhe lá.
E é tao engraçado esse mundo cheio de contrastes, pois enquanto há bilionários pensando em que gastar o $, há muitos que morrem de fome e doentes!!

beijos

Guto disse...

Olha, numa boa...o que o seu amigo falou é tão batido que já saiu até no Matrix.

De qualquer maneira, a sensação de vazio é verdadeira, principalmente quando perseguimos objetivos que nos parecem apenas "socialmente desejáveis".

É impressionante como coisas pequenas, como ajudar um animal machucado, podem fazer uma pessoa se sentir mais importante ou útil para o mundo do que 5 anos de trabalho em um escritório.

Eu só estava esquentando e ia começar a desenvolver isso aqui a sério...mas tenho que voltar ao trabalho...(tomara que alguém tenha entendido como isso é tragicômico).

plut plat zum disse...

concordo com oq disse e concordo com os comentarios, mas msmo o batido eh importante p refletir, e o batido eh totalmente relativo tb por sua vez.
De fato o mundo segue uma felicidade um pouco imposta e seguida pelo nosso sistema economico predominantemente q eh o capitalismo. Td por acumulo d capital e consumismo, e o fzer compras vira terapia e uma fuga p outros problemas cm desejos frustrados. alias tah ai uma boa questao d reflexao, cm jah dizia akele filosofo famoso alemao, Shopenhauer, a vida nao eh feita soh d alegrias... somos feitos d desejos p serem satisfeitos, e qdo satisfazemos, essa "felicidade" eh suprida e logo surge um outro desejo a ser realizado...talvez td isso q vivemos seja uma sucessao d tirsteza q makiamos com oq conseguimos...e o dinheiro e uma boa posicao social vem sido a resposta ha mto tempo.