domingo, 30 de março de 2008

Röyksopp






Para o pessoal que vê na música eletrônica muito mais do que ambiente de balada.

Confiram o capricho no video clip...

Röyksopp is an electronic music duo based in Tromsø, Norway composed of Torbjørn Brundtland and Svein Berge. The group formed officially in 1998 and released their debut album Melody A.M. in 2001.

The word Röyksopp is a stylized version of the Norwegian word for the puffball mushroom, "røyksopp" or literally, "smoke mushroom". This same word can also be used to describe the mushroom clouds that come from atomic bombs, so this imagery is also inherent in their name.

http://www.royksopp.com/





video



Poor Leno, do álbum Melody A.M

Perda do sentido da forma



Assisti a um espetáculo de dança japonesa que segue um estilo bem singular chamado "Butoh". A apresentação ilustrou muito bem o que o filósofo italiano Giovanni Reale chamou de "perda do sentido da forma" . Para compreender o que isso significa, tentarei explicar brevemente o é o Butoh: é uma tentiva de colocar o dançarino em contato com a sua origem, deixando que o corpo ganhe total liberdade sobre a mente e se responsabilize por esse retrocesso. "It is a dance that has as much to do with meditation or martial art training as it does to dance in the conventional sense. It derives its power from what the individual who dances it brings to it in a very mental as well as physical sense. It is a directing of energy to the audience from the surroundings, the environment and the audience themselves as much as from the mind in a way similar to how a pastry chef uses a paper cone to direct the icing onto a cake." Para finalizar o entendimento do Butoh, segue abaixo algumas apresentações.



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http://www.youtube.com/watch?v=r4sDp_1brFg&feature=related


Fica claro que os dançarinos se reduzem a apenas corpo; a consciência e mesmo a emotividade deles estão muito distantes do palco. Para mensurar esta distância, é interessante citar a influência que um estudo sobre os movimentos que uma "galinha" realizava após ter sido decepada tem sobre a dança. Diante disso, surge a "perda do sentido da forma" que Giovanni Reale comentou em seu livro"O Saber dos Antigos - Terapia para os dias atuais". Para ele, a forma não passa de um reflexo do que o interior dos objetos reserva, ela não existe por si, não caminha por si, não tem significado se não o de refletir a verdadeira beleza. E lembra que, disso, Platão já tinha plena consciência quando escreveu que "a beleza física representa apenas o grau mais exterior e mais baixo da própria beleza. A verdadeira beleza é a interior (...) a verdadeira beleza, a divina, não está no cormpo mas na alma, e é esta que é realmente preciosa".

Mas não é só a arte que tem abandonado o sentido da forma, através do distanciamento das idéias aos objetos pela super valorização da abstração; mas também a própria visão de amor. Não que seja errado amar aquilo que é belo exteriormente; aliás, deve-se buscar essa qualidade pois ela também faz parte do que é plenamente belo, mas, justamente, quando amamos buscamos essa beleza completa, que parece ter sido esquecida. Basta assistir a uns 15 minutos de novela para se evidenciar isso.Para mim, a perda do sentido da forma na arte é apena a pontinha do iceberg do falso amar.

Maiores informações sobre o Butoh:

http://www.butoh.net/

http://www.ne.jp/asahi/butoh/itto/butoh-e.htm

domingo, 9 de março de 2008

Philip Glass



"The new musical style that Glass was evolving was eventually dubbed “minimalism.” Glass himself never liked the term and preferred to speak of himself as a composer of “music with repetitive structures.” Much of his early work was based on the extended reiteration of brief, elegant melodic fragments that wove in and out of an aural tapestry. Or, to put it another way, it immersed a listener in a sort of sonic weather that twists, turns, surrounds, develops."


Não será o último post que faço dele. Enjoy:



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site oficial: http://www.philipglass.com/

Peter & The Wolf


Ganhador do Oscar de melhor curta de animação, dos diretores Suzie Templeton e Hugh Welchman. O curta preserva obviamente a clássica trilha sonora e, junto com a magia que a animação em stop motion sempre traz, ajudou a eternalizar mais uma vez a fábula (como o próprio Welchman bem observou dizendo que a premiação manterá os personagens do curta "no coração das crianças").

O curta tem cerca de 30 minutos. Aí vão os links para quem quiser vê-lo no youtube:






2ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=2o6jJ2ICoEw&feature=related



3ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=alhZqE-5pHs&feature=related





O gosto do vivo



Qual o gosto do vivo? Para descobrirmos, precisamos saber adivinhar a realidade, enxergando além dos olhos e cultivando a fome maior:


"Não é para nós que o leite da vaca brota, mas nós o bebemos. A flor não foi feita para ser olhada por nós nem para que sintamos o seu cheiro, e nós a olhamos e cheiramos. A Via-Láctea não existe para que saibamos da existência dela, mas nós sabemos. E nós sabemos Deus. E o que precisamos Dele extraímos. (Não sei o que chamo de Deus, mas assim pode ser chamado.) Se só sanbemos muito pouco de Deus, é porque precisamos pouco: só temos Dele o que fatalmente nos basta. Só temos de Deus o que cabe em nós mesmos que não somos bastante. Sentimos falta de nossa grandeza impossível - minha atualidade inalcançável é o meu paraíso perdido.


Sofremos por ter tão pouca fome, embora nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teriámos se fôssemos de fome maior. O leite a gente só bebe o quanto basta ao corpo, e da flor só vemos até onde vão os olhos e a sua saciedade rasa. Quanto mais precisarmos, mais Deus exite. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos.

(...)

Se abandono a esperança, estou celebrando a minha carência, e esta é a maior gravidade do viver. E, porque assumi a falta, então a vida está à mão. Muitos foram os que abandonaram tudo o que tinham, e foram em busca da fome maior.

(...)

Toda a minha luta fraudulente vinha de não querer assumir a promessa que se cumpre: eu não queria a realidade.


Pois ser real é assumir a própria pormessa: assumir a própria inocência é retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo." - A Paixão segundo G.H, Clarice Lispector.


A fome de se viver desapereceu em muitos, e com ela também desapareceu a realidade. Essa troca pode parecer tentadora a princípio - "toda a minha luta fraudulente vinha de não querer assumir a promessa que se cumpre: eu não queria a realidade" - mas revela no fundo um grande medo da verdade, de se provar o gosto do vivo. Não estou sugerindo que vivemos em uma espécie de matrix, onde nossos sentidos se dissolvem em ilusões. Pelo contrário, acredito que eles são pontes para a realidade adivinhada; mas não podemos esquecer que eles são apenas pontes e não a margem que se quer alcançar. A pequena fome que valorizamos atualmente detém-nos sobre o rio - tudo em prol de estarmos com nossos sentidos satisfeitos - mas esquecemos que a realidade nos reserva todo um mundo do outro lado das águas. Novamente, não estou negando a realidade que temos, só estou defendendo que, assim como o leite não existe para nós bebermos, mas nós o bebemos; também o seu verdadeiro sabor existe, um gosto de vida que até agora não adivinhamos.

domingo, 2 de março de 2008

Motivos

Antoine Saint Exupery

Sei que martelo um pouco no assunto de "sentido da vida", mas acredito que é um tema que nunca deve ser abandonado até que fique claro para cada um. Diante disso, mais um belíssimo texto do francês Saint Exupéry pertencente ao seu livro "Terra dos Homens". Espero que sirva de orientação para esse mundo considerado como globalizado, mas que possui um Oriente e um Ocidente com claras divergências, além de uma África que foi esquecida por todos.

"Para compreender o homem e suas necessidades, para conhecê-lo no que ele tem de essencial não é preciso opor, umas às outras, as evidências de vossas verdades. Sim, vós tendes razão. A lógica demonstra tudo. Tem razão mesmo aquele que lança todoas as desgraças do mundo sobre os corcundas. Se declaramos guerra aos corcundas logo aprenderemos a nos exaltar. Vingaremos os crimes dos corcundas. E certamente os corcundas também comentem crimes.
É preciso, para tentar distinguir o essencial, esquecer por um momento as diviões que, uma vez admitidas, arrastam todo um Alcorão de verdades intocáveis, e o fanatismo conseqüente. Podem-se classificiar os homens em homens da direita e homens da esquerda, em corcundas e não corcundas, em fascistas e democratas, e essas distinções são inatacáveis. Mas a verdade, vós o sabeis, é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos. A verdade é a linguagem que exprime o universal. Newton não "descobriu" uma lei que estivesse durante muito tempo dissimulada, como a solução de uma charada. Newton efetuou uma operação criadora. Fundou uma linguagem de homem que pode exprimir a queda da maçã na terra e a ascençsão do sol. A verade não é o que se demonstra, é o que simplicifca.
De nada vale discutir ideologias. Se todas se demonstram, todas também se opõem, e tais discussões fazem desesperar da salvação do homem. Isso quando o homem, em toda parte, ao redor de nós expõe as mesmas necessidades.
Queremos ser libertados. O que dá uma exadada no chã quer saber o sentido dessa enxadada. E a enxadada do forçado (prisioneiro), que humilha o forçado, não é a mesma enxadada do lavrador, que exalta o lavrador. A prisão não está ali onde se trabalho com a enxada. Não há o horror material. A prisão está ali, onde o trabalho da enxada não tem sentido, não liga quem o faz à comunidade dos homens.
E nós queremos fugirda prisão."
itálico acrescentado

E quem não quer? Pena que muitos acabam se contentando com a situação quando olham o corcunda ao lado, preso em sua solitária. Todo o podre deste mundo é culpa dele, e eis que a nossa jaula se converte em um paraíso. Até quando?

Hermeto Pascoal


Segundo a maioria, Hermeto Pascoal é um dos grandes nomes da música brasileira. Mesmo assim, diria que ele vai muito além de fazer apenas música brasileira; ele faz antes de tudo uma música livre, livre de padrões como esse que poderiam aprisionar toda a criatividade que esse homem possui. Liberdade e espontaneidade são seus guias. Para dar uma idéia disso, pode-se citar os "instrumentos" que o barbudão gosta de usar. Tive a grande oportunidade de presenciar um de seus shows em 2005 e lá o que vi foi um patinho de borracha e uma piscina retrátil fazerem música! Atualmente não há previsões de shows, mas qualquer um que estiver diante da oportunidade de vê-lo tocar ao vivo, cometerá um grande pecado ao coração se deixar de fazê-lo.




Site Oficial:




Hermeto no Montreux Jazz Festival
(observação: não se assustem com o grito no início, hahaha):






Amor à Flor da Pele


O chinês Wong Kar Wai é sinônimo de romantismo. Mas não aquele romantismo "água com açúcar" da sessão da tarde; muito antes disso, ele aborda o tema de forma realista e, ao mesmo tempo, valorizando cada pequeno momento das intrigas amorosas.
O filme "Amor à Flor da Pele" é para mim uma das suas obras primas. Kar Wai consegue transmitir de forma perfeita a delicadeza nos relacionamentos em oposição à intensidade dos sentimentos. Acrescente a isso a trilha sonora enigmática e melancólica de Michael Galasso e uma fotografia brilhante; o resultado não poderia ser outro além de um filme que veio para se tornar referência.


Site Oficial:

http://www.wkw-inthemoodforlove.com/



Trailer:






video